sexta-feira, 22 de maio de 2009

saudade não tem fim.


"Ai que saudade do meu velho... Essa música me lembra tanto ele. Eu me lembro quando ele chegava da roça, e eu trazia uma xícara de café para ele e outra pra mim, ele se deitava na rede, e eu me sentava na cadeira ao lado, a hora passava e isso não fazia diferença alguma... Mas ele me deixou, o que eu posso fazer? Ele deve estar me esperando... Tomara que sim..."

- Ai que saudade do meu avô. Eu me lembro quando ele ia até a roça, e me levava junto, era um lugar longe da cidade mas eu não me incomodava. Estar ao lado do meu Herói era só que me fazia encher o peito. Me sentia o máximo, olhava pra ele com os olhos brilhando, e nem podia esconder o orgulho que eu tinha. Lembro quando ele me colocava nos ombros, e ficava passeando pela casa. Quando íamos passar por alguma porta ele sempre me alertava: "Olha o côco". Lembro também que sempre de madrugada eu ia tirar ele do lado da Didi na cama, porque estava com medo de dormir sozinha...

Até hoje, sempre que me lembro dele, vem aquela imagem do hospital. E por mais que eu tente pensar nas lembranças boas primeiro, é inevitável que elas venham antes... Aquela maldita imagem da cama do hospital. Eu mal podia olhar pra ele. Me escondia atrás da Vó Didi para chorar sem ele ver. Ele estava morrendo, e mesmo vendo aquela imagem não sabia que era tão grave. Achava que ele podia levantar dali a qualquer momento e voltar pra casa. Como sempre, todos esconderam as coisas de mim, e eu, nem pude dizer que o amava muito. Agora ele passeia pelo céu, junto de outra alma linda. E aqui, Vó Didi me diz toda a manhã: "Deus te abençoe filha". E é por isso que eu acordo todos os dias, é só por ela, minha heroína, minha jóia, meu bem mais precioso.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Garoto dos olhos negros.


É como dizem, as coisas mais lindas estão onde você menos imagina, quando você menos espera...
Eu nunca vou me esquecer daquele 13 de Dezembro de 2008, era por volta das 20:00 e eu estava sentada na beira de uma calçada na estação carrão, fazia muito frio na grande São Paulo, e eu estava fazendo hora, observando o vai e vem das pessoas voltando do trabalho, eu tremia muito e fumava um cigarro que era a única coisa que me esquentava no momento...
Até que eu num gesto meio que sem querer parei o olhar em uma cena.
Ele estava ali, quase invisível no meio de toda aquela gente, mais eu o vi, talvez só eu... Era como se fosse a pessoa mais chamativa daquele lugar, pelo contrário... Comia um salgado e tomava um suco depois de um dia de trabalho provavelmente, aparentava ter uns 19 anos, tímido, individual em seu momento rotineiro, era um dos rostos mais delicados que eu já havia visto...
Eu o encarava, pois não conseguia deixar de olhar, era tão... Tão convidativo, parecia feitiço... Mais não sabia que tinha esse poder... E ele meio que sem entender, continuava a fazer o que fazia, desviando o olhar, estava com vergonha.
E em um momento de distração minha, que eu desviei o olhar por um segundo, ele havia sumido... A minha paixão de estação, paixão de 10 minutos...
Talvez aquela tenha sido uma das cenas mais belas que já presenciei.
Eu poderia ter acenado, e chama-lo para juntar-se a mim naquela calçada fira de São Paulo, mais não o fiz... Talvez uma palavra, poderia danificar o momento.
Talvez ele fosse a pessoa que mudaria minha vida, talvez não, não sei... nunca vou saber...
Só sei que meu coração batia tão violento por aqueles olhos negros, que posso sentir até hoje...