sábado, 5 de março de 2011

Concurso cultural de blogs (MdE)

http://manualdasencalhadas.com.br/resultado-do-concurso-cultural-seu-blog-no-mde/

Parabéns as ganhadoras:
- Elisângela da Silva com o texto "Casamento"
- Juliana Baeta com o texto "Sobre seios grandes e parênteses intermináveis"
- THALITA ALVES (Eu) Com o texto: "CAFÉ DA MANHÃ"

Obrigada a toda equipe do MdE.
E para quem quiser conferir, meu texto vencedor:

-

Café da manhã

Para ler ouvindo: Bom dia - Los hermanos

Me desculpe passar dias te observando, mas quero ter certeza que meu armazenamento de experiências vividas parou de brincar comigo. Ou talvez seja mais uma das minhas mentiras metódicas que eu idealizo nos sonhos lúcidos. Cansei de fantasiar. E quer saber? Eu vou contar o que eu quero...

No fundo, talvez eu seja a mentira. O seu olhar é infinito e você é completo.
Já em mim, falta alguma coisa no sorriso, talvez algo que você esteja escondendo...
Você anda perdido demais, e o que eu posso fazer é te seguir, te inventando e idealizando momentos no escuro, no silencio... Bem baixinho pra não acordar o sindico. Risadas e brincadeiras ficam mais interessantes quando não se pode rir alto. E é tão gostoso falar "shhh" com um beijinho nos lábios risonhos.

Eu cansei de dormir sozinha, eu tenho medo... Não quero mais aquela rotina chata que parece insistir em me amar pra sempre todos os dias de MINHA vida. Eu quero ver desenhos nostálgicos com alguém que goste também, e que possa rir com a inocência de uma criança. Quero risadas sinceras e elogios sobre meu cabelo bagunçado e minha cara amassada do travesseiro.
Quero dormir com a sua camiseta e ouvir você dizer sorrindo que não quer que eu a tire tão cedo, pois quer deixar pegar bem o meu cheirinho para sentir quando estiver longe de mim.

Essa realidade seria tão doce, mas é só minha imaginação brincando comigo denovo. Eu já me acostumei.
Até porque... Só o que eu tenho pela manhã é um jornal de ontem, onde as noticias são mais interessantes que minha vida e as flores que eu colho quando volto do trabalho para enfeitar a mesa.
Eu reflito sozinha todas as manhãs sobre a mesma coisa: A solidão é doce, amargo é esse café, eca.

Eu quero mesmo é acordar com uma canção. Tenho essa urgência de acordar de sonhos bons e continua-los no primeiro abrir dos olhos.
Hoje em dia, eu levanto de manhã para comprar pão, antes só fazia isso em ultimo caso, e mesmo assim ia de carro. Hoje eu caminho até a venda da esquina e volto colhendo flores.
Aprendi que minhas manhãs podem ser mais coloridas e agradáveis até o dono da camiseta chegar...

2 comentários:

thiago zucolotto disse...

É muito difícil ler o que foi dito nesse texto. É tão difícil entender que a distancia agoniza o que não pode morrer. Mais difícil que isso é saber controlar essa situação mantendo-se lúcido e racional o tempo todo.

Thalita B. disse...

A realidade não é algo facil de entender...