segunda-feira, 20 de maio de 2013

"Tu"


É fácil dizer que não é assim, que tudo vai mudar e as coisas vão melhorar.
É fácil dizer que tudo vai ficar bem quando se assiste a peça da platéia, quando não se encara o personagem e é necessário ficar nu em frente ao público. É fácil...
Difícil é quando você desmorona em cima da tua cabeça. Difícil é ver quando você cai sem poder fazer nada. Isso é difícil!
Dizem que nada pode nos salvar além de nós mesmos, bem... eu mal posso respirar agora e não consigo segurar minha mão para levantar. Difícil é isso aí.
É quando nem você pode se salvar e então percebe que mais nada no planeta pode.

Fácil é quando o mundo cai na palma da tua mão e diz que é todo seu.
Aí "tu" agarra, "tu" segura, "tu" aperta como se fosse a ultima chance da tua vida e é.
E mesmo quando tudo é amor, tudo o que "tu" fala é amor, tudo o que "tu" pensa é amor, tudo o que "tu" vive é amor o mundo insiste em abrir a boca pra te engolir, mesmo que você ofereça com os braços um abraço.

Eu sei que meu mundo agora mudou.
Meu mundo me abraça, me toca, me ama...
Meu mundo só abre a boca para me beijar
Esse mundo que descobri, me descobriu e caiu na palma da minha mão! Ele é bem melhor do que aquele mundo em que eu me arrastava, e muitos se arrastam hoje. Ele é incrível!
Meu mundo agora, é só amor... Só amor.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Cinza.

Suponho que a pior sensação da vida seja essa da saudade, a que te devora, te come, te bebe, mastiga, te gasta, te derrama...
Suponho também que perceber na pele a cama congelada e o sono ausente também seja cruel!
Mas o que te destrói mesmo, é a cabeça que dói de tanto choro e o pulmão que te pede uma trégua de tantos cigarros seguidos, porém não há nada que te impeça de passar a dor para outra parte do corpo; do coração para a cabeça, da cabeça para o pulmão...
Mas é que dói, e dor de saudade não tem trégua, nem os cigarros.
Meu coração tá tão aí com você que se eu pudesse eu iria correndo nessa chuva buscar ele e trazer o seu também, quem sabe junto com os olhos e a boca e a pele e os braços e você todo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Colo.

... Tudo começou quando desliguei a TV e estiquei as pernas na mesinha de centro da minha sala dos sonhos.
Não era natural fazer este ritual no fim do meu repouso mas, um dia, eu tinha que mudar as coisas de lugar. Comecei alterando a ordem dos detalhes; primeiro me amo, depois amo outro.

Naquele lance de ocasião, tentei formar ideias para encontrar uma única definição para a palavra A-M-O-R. Me caíram várias. (Tudo o que eu não queria).

Primeiro pensei que amor era quando tu não enjoava de beijar a mesma boca todos os dias. (Isto poderia sim ser amor)
Depois, pensei que amor era sentir o mesmo cheiro e o gosto que tem o sorriso de quem te sorri, sem recusa.
Era ter paixão até nos pelos do corpo, cada um.

Quando ajeitei a postura e acendi mais um cigarro, pensei num abraço do tamanho do meu cansaço e então, encontrei a explicação. Clara e breve: "Amor, é quando seu cansaço é do tamanho de um abraço."

Ah, mas meu cansaço é do tamanho do seu abraço e eu arrisco soltar as mãos do meu equilíbrio para me atirar nele...
- Se há amor e dor, pensei, por que não me atrever no amor?

...Me lembrei também, que amor era não sentir necessidade de ser amada. Era amar sem querer nada em troca... Era só amar e amar e amar sem descanso nem pausa...
Amar, era ir de encontro a uma liberdade doce de provar.
Então dei início as definições para a palavras L-I-B-E-R-D-A-D-E.
Parei.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vermouth Seco.

Para Ler Ouvindo: Sweet Disposition - Temper Trap

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Despertei.

Acordei, sei lá. Ás vezes é bom despertar para a realidade... Isso faz com que você provoque um sono inveterado e cruel, bom para que você saiba que está no comando e pode mudar.
Eu me sinto bem nesse instante de liberdade. Exatamente agora, me sinto incrivelmente bem pois deixei escapar um sorriso que estava distante da superfície dos lábios. Isso é bom quando você nem sabia mais como era sorrir.
Minha alma, enquanto ouvia uma canção triste, sorriu também, sem motivo algum, sorriu; por saber -como eu sei agora- que algo bom está se aproximando.
Não vem depressa, nem vem devagar; vem na velocidade que precisa caminhar.
Vem no meu tempo. Nosso tempo, que é o mesmo.

... Porque hoje o dia está perfeito e a noite é toda minha. Acredite! Eu acreditei... Por isso caminho nas estrelas hoje; é bom estar sempre aquecida. Café com leite tem gosto de infância e isso só me cai na mente porque eu deixo que venha.

Qualquer que seja o gosto do apego, eu não me lembro mais e, se minha memória refrescar meu paladar, eu tomo alguma coisa alcoólica que é bem para matar a saudade do apego, afinal, todo mundo se alinha a combinação de prazer e sofrer que a solidão causa.
A solidão é ignorada; ninguém a percebe. O corpo pede e a mente retribui chamando nos olhos, nos ouvidos, no sorriso, lágrimas, saudade...
Chama um tempo que tu acreditou ser feliz e completamente preenchida, sem buracos, sem espaços... Repleta. Sem nenhum espaço em branco, mas quando a lembrança passa por você, deixa um vazio maior ainda. E fica.
A lembrança é cruel, só porque você permite que seja.

Eu culpo. Ainda tenho o hábito de culpar quem me partiu em pedaços, mas todos os dias, um por um, um por vez, eu recolho minhas partes pelo chão. Recolho todas de uma vez num abraço bem apertado. Sempre há algumas que caem de volta ao chão, mas no outro dia eu torno a junta-las num outro abraço, para que elas saibam que eu as amo antes de qualquer coisa.
Assim eu vou aprendendo a não culpar os outros e me tornar responsável por aquilo que quero sentir; se quero me sentir bem, me sinto, sinto... Se quero me sentir mal, ninguém tem nada com isso.

Café com leite tem gosto de infância e, quando bebo, na mente passa um desenho animado como Tom & Jerry. Na boca sempre passa um riso e então Maria passa também.

Eu sempre quis entrar num bar qualquer, com um extenso balcão para o barman e uma junkebox no canto do salão. Começar no Dry Martini com azeitonas e deixar que Aretha Franklin faça o trabalho dela, apenas cantando e me mantendo de olhos fechados acompanhando os agudos discretamente com a cabeça. Terminar nas cervejas para limpar o gosto metálico de um beijo nem tão incrível assim e, agora, você começa a perceber que tudo aquilo não foi grande coisa.
As gotas do vermute seco não são grande coisa.
Todas as vezes que seu coração despedaçou não foi grande coisa. Todas as vezes que engoliu de uma vez o orgulho como engolia a dose do produto mais forte da prateleira, não foi. Todas as saídas que perdeu. As risadas que disfarçou com um arregalar de olhos apenas para não deixar alguém constrangido. As vezes que mentiu estar bem, porém nunca precisou assumir personagens, nesta parte você se orgulha.
E quando se sentiu exausta, tão cansada que mal sentia o espirito te movendo, acreditando fielmente que todas as emoções possíveis haviam desaparecido e começou a carregar uma carcaça, um corpo, apenas, sem nada mais, compreendeu.
Agora, à cada dose, você percebe, enfim, que tudo aquilo não foi grande coisa.
Percebe que pode suportar mais uma, duas, três ou quantas sessões de desespero quiser. Pode sobreviver a isso como sobrevive a um porre no dia seguinte. Pode sim, dissolver e amparar facilmente essas lembranças como engole as doses.

Nada foi grande coisa. O sofrimento não foi. As palavras bonitas que ouvia já ouvi antes. Vou ouvir as mesmas e outras criações. Vou até arriscar em dizer algumas, mas não vou morrer por não ouvir da mesma pessoa. Existe um mundo lá fora e bilhares de outras pessoas. Não me recordo do que fiz na semana passada, também não me lembro o que comi ontem no almoço, não será difícil esquecer alguém tão sem importância e de pouco valor como um dos milhares de clientes que passam pela loja onde trabalho.
Não dormirei pendurada no cabide, como diz minha queridíssima tia Laudicéia.
E se nesse tempo, em que eu me sentir solitária e ninguém notar, pois ninguém nota a solidão, conversarei comigo mesma, pois gosto de conversar com pessoas inteligentes.

Meia luz, todos os drinks que o corpo pode aguentar em uma única noite e, uma nova chance, para reaprender a viver de estrelas, sonhos e claro, outras canções e bilhões.

sábado, 31 de dezembro de 2011

...Mas ele sempre volta, e meu coração sempre aceita.

Nunca entendeu o hábito que o planeta fingiu de se agarrar em uma veste branca de réveillon, por isso ela se agarrava ao vermelho. Não pela paixão; mas apenas por gostar da cor que usava o ano inteiro. Por saber que nela já havia cor e como havia... Até as mortas tinham vida e como tinha.
Ela usava o vermelho, só por saber que a cor branca representava tudo o que não se colocava em cena.

Nunca entendeu o amor do mineiro, mas quando pedia com sentimento profundo: "-  Não me solta nem me aparta, só me deixe ser parte do teu interior." Compreendia o que era amor de verdade:

- Você já está bem forte dentro de mim. Você está aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
E sem arredar os olhos dele, ela apenas sorria nos detalhes do corpo que ele apontava:
- Você está aqui. Dizia colocando a mão aberta sobre o peito.
- Aqui. Enquanto esfregava os olhos.
- Aqui. Segurando levemente as mãos dela sobre os lábios.
- Aqui. Aquecendo o nariz contra o dela como os esquimós.
- E aqui.

- Onde? Perguntou com a voz suave bem próxima aos ouvidos do mineiro.

- Aí. Respondeu ele.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Me Faz Valer a Vida.

Minha vida será sempre o mesmo livro envelhecido de capa vermelha: Sei que nunca vou entender os personagens que invadem os trechos do meu conjunto de folhas de papel, mas posso virar as páginas e descobrir figuras que me roubam da memória o que foi ruim no enredo.

Algumas são tão claras e modestamente divinas, que te põe na mente crer que anjos sem asas existem, no entanto outras, criam obras impecáveis que as tornam incrivelmente estúpidas e desagradáveis; essas eu tenho o grande desprazer de cruzar em meio ao caminho, mas tenho uma sorte maior ainda que faz com que eu me livre delas rapidamente.

Eu acredito que as pessoas podem guardar a pureza encantadora do primeiro olhar, afinal, todos nascem com essa transparência, e não é tão dificil conservar a nitidez no decorrer da vida. 

Por muito tempo observei todas as pessoas tentando descobrir o que as tornavam tão idiotas, foi estudando você que descobri.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11.11.11

... Ainda é madrugada, meu amor. Vista aquela roupa que te deixa suavemente linda, pois hoje ficaremos em casa esperando que o senhor dos desejos deslize brandamente em silêncio.
Segura teu melhor pedido e dissolve a pior lembrança de tudo que te compõe.
Escuta esse Jazz comigo e guarda minha mão na tua. Vamos atravessar este portal livres de toda e qualquer forma de dor que há neste mundo antiquado para nós.

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Acompanha o alinhamento pequeno cristal...
Escuta o intenso sossego da sua alma se unindo à essa essência divina.
Leve-a.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Não reprima, se cure.

Para ler ouvindo: Frank Sinatra - That's Life. (that's what all the people say...)


"Se limpa de tudo que te causa dor aguda e azeda seu sorriso."

Parei de fechar os ouvidos para o que eu mesma aconselho. To varrendo o apego e não é pra debaixo do tapete, é pra fora de mim, pra fora de casa, pra fora da cidade até que desapareça para sempre. To me adiantando de mim, do tempo que perdi, do que é ruim dentro de mim e isso está de fato me fazendo um bem que não se pode deter.

Parei com as oscilações de sentimentos. Uma hora te amo, uma hora te odeio... Agora é real, to apenas me limpando. Chorei tudo aquilo que não havia chorado quando me faltava tempo. Novo emprego, estudos, família, amigos, finanças, problemas, problemas, problemas... 
Chorei um choro tão ofendido, que chegava a me ofender também. Ofendia meu coração, ofendia minha alma, meu sorriso, minha poesia... Ofendia tudo de mim... Estávamos em mesma sintonia e era notável, falávamos a mesma língua, -razão, razão, razão...- Nós éramos presentes na mesma vontade de despedida. Me esvaziei de tudo aquilo que transbordava em mim: Dor, saudade, agonia, apego, desgaste... Agora to abrindo espaço pra tudo que me faz bem de verdade.

Abri todas as portas da casa, inclusive as janelas. Aquele cheiro de você está saindo e eu quase não me lembro do som que tem na tua voz. É tão bom ver a luz entrar, e eu já nem me lembrava que Maria havia plantado lírios no jardim.
To aprendendo a viver sem alguém que vive bem sem mim, e isso está me fazendo um bem tão ilimitado, que seria pecado moderar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

L'amour de ma vie.


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Iniciei uma conversa muito séria comigo mesma. Nela eu dizia que amores eu terei em pencas, cachos e porções, mas todos não passarão de exemplos e lições pra que eu aprendendo como é me quebrar, me abater com o peso dos outros ou quem sabe me zelar a respeito de tudo o que é falso no mundo.
É interessante conversar na terceira pessoa. É produtivo. Você aprende que amor não é tão amor quando alguém vem impuro até você. Aprende que você sempre irá servir de Band-Aid para cobrir a ferida de alguém e, em seguida, será jogada no lixo, e no lixo vai ficar por muito tempo se negando que sim, você ainda está apaixonada, tolinha.

Mas que mal tem? Você nunca teve o hábito de usar este método, pois o achava um golpe baixíssimo e fora da realidade do seu caráter. Ai quando te apresentaram, achou justo usar, afinal, tudo o que era falso vinha até você querendo te levar para a cama. Foi ai que aprendeu a jogar o jogo da natureza masculina.
Foique eu aprendi, que o amor da minha vida, a história da minha vida, a canção da minha vida seja feita de rabisco ou uma escrita perfeita, não irá aparecer enquanto eu buscar nas pessoas um curativo que me faça recuperar o fôlego.

Garota, entenda de uma vez... O homem da sua vida não será aquele que irá te chamar para jantar e te ouvir durante toda a noite com aquele olhar de quem está interessado em seus problemas, desafetos e carências. Seu possível amor não será aquele garoto que pedirá seu telefone quando você já nem espera nada da cidade, do mundo... Tão pouco será aquele que não pedirá um beijo no primeiro encontro e de um modo impressionante, irá te surpreender com uma ligação no fim do dia seguinte chamando-a para tomar um café na Rua Gurgel, talvez.

Eu aprendi que esses amores ai, esses comuns que você vê em cada esquina, são apenas lições: Vou pegando cada uma e guardando dentro do bolso para colocar na minha armadura contra desilusões.

Todo homem sabe o que uma garota quer. Por isso ele vai deixar que você fale a noite toda sobre seu trabalho, os episódios quevocê achará graça mas que o fará rir também, afinal, ele precisa manter o personagem perfeito para a conquista. Seu cão que morreu, seu trauma de infância, suas alergias, os remédios que já tomou, os distúrbios neurológicos e por ai vai... Vai e você nem percebe que o amor da sua vida, não será aquele homem quete vem com intenções, será aquele que vai aparecer limpo de todas as coisas ou apenas do que é essencial. Seu papel será somente oscilar a mesma frequência, por isso se limpa de tudo que te causa dor aguda e azeda seu sorriso.

O amor da sua vida, a história da sua vida e o fim das suas canções tristes da madrugada, será aquele garoto, que simples, vai te chegar limpo também. Sem curativos. Nada de feridas. Só páginas em branco e muito amor para dividir, somar sem subtrair...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Emoções. II

Escuta... Eu confiei minha vida à você. Confiei meus segredos, meus amores, minhas falhas, minha maior saudade... Te confiei minha canção! Aquela que dizia por mim quando o vento ia levando tudo embora, se lembra? A que desenhava sem borracha minhas faltas, meu desespero, minha paisagem... Te confiei a estrela Alpha da minha constelação. Te confiei tão cega meu coração, e olha o que fez: Quebrou.
Parei de ouvir meu coração, para escutar o seu. Te doei o centro da minha consciência e o resgatei, agora só empresto. Tu me limpou de tudo que era bom dentro de mim. Nada me interessa. Tudo me suga, me seca, me empresta, não me devolve.
Te dei um coração tão em paz, e eu teria ganho mais se tivesse trocado por balas 7 belo.

Emoções.

Só quem já visitou uma galáxia, reconhece o conforto que é se deitar em pétalas de algodão.
Só quem já foi estrela, sabe o que é confundir as cores quando se tem tantas passeando entre os dedos.
Isto foi um sonho. Um sonho de verdade e que de uma forma nada convencional, me disse que eu estava prestes a morrer. Disse de um modo tão belo, tão incrivelmente imaginário, que até hoje posso sentir o gosto metálico das cores que minha supernova desenhou.

Eu fui sonho, fui real, fui prazer. Fui um tempo e, nesse tempo, era bom sentir prazeres.
Confiei minha vida a outra vida. Confiei meus segredos até o mais íntimo deles. Confiei meus amores, minhas faltas, minhas falhas, meu egoísmo, euforia, atenção, apreensão, atração... Confiei minha fé e o que ficou foi isso ai... Essa ausência.
De todos os sentimentos que um dia foram meus, até a decepção se foi. Desencanto, luto... Também os piores sentimentos afastaram-se e estes sim, disseram adeus com deboche quando eu já quase implorava para que ficassem, pois eram só o que me preenchiam: Cólera, horror, culpa, desamparo, derrota...

Sei que não me servia das emoções na maior -ou menor- parte do tempo, mas elas existiam e estavam aqui. Me bastava. E se eram minhas, que ainda sejam, oras. Que fiquem aqui, mesmo que esquecidas, abandonadas ou contidas em qualquer parte de mim, mas que fiquem, afinal, são minhas sensações. Posso precisar de uma flexibilidade. Um espanto. Um Perdão. Uma fragmentação. Uma carência, talvez... Ninguém joga aquela camiseta velha fora pois sabe que pode precisar um dia. Um dia, quem sabe?
Não pense que seja sentimento de posse. Se fosse, me faria feliz, pois ainda haveria algum sentimento perdido aqui na tal das entrelinhas. Tudo isso é só para dizer que essas emoções perdidas por aí são minhas e se caso esteja com elas, por favor, devolva da mesma forma que as encontrou.

Sei que hoje não sinto nada.
Isso é um fato e sei também, que ninguém aqui pode entender essa escrita tão cheia de emoções perdidas. É sempre assim: Nada fica incontestavelmente claro quando se envolve sentimentos (principalmente os alheios). Tudo fica confuso pois não há como colocar em sentença coisas de um íntimo que só a gente sente (no meu caso, só entende). Fica tudo naquele espaço mental, como se chama mesmo? Ah! Entrelinhas.

Talvez seja necessário deixar assim. Apático. Sem nada. Ausente. Mas eu gostaria que voltassem. Não por nada. Que apenas voltassem só para ficar aqui em mim. Todos eles. Só para ter, entende?
Gostaria que voltassem, pois sinto saudade.
Sinto...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Com Perfeição.

Para ler ouvindo: Foo Fighters - Times Like These

...Digo isto, pois ela sempre soube ser aquilo que não se vê. Todo o tempo. O futuro, o passado, o presente... Nesta mesma ordem. Sempre fez muito bem. Com perfeição.
Sempre soube sorrir com uma intensidade incabível e, quando falava das estrelas, não imaginava o preço que havia em tal coisa. O valor que havia nas palavras. O tempo que era exato nas pessoas. O valor...

Era de verdade. Tocar suas palavras se tornava algo real e, quando ela dizia: "Estrelas..." Com uma voz suave, um olhar frágil, onde suas palavras tinham gosto e forma de chuva fina, seus personagens podiam mesmo tocá-las através de sua fala.
E todos os sentimentos que ela escondia, nas estrelas...

Voz Secreta.

Não se assuste, eu ainda sou o mesmo estado, as mesmas circunstâncias.
Sou o mesmo corpo, o mesmo sorriso, os mesmos olhos... Sou a mesma complexidade vestida num corpo magro de pele branca. Só os sentimentos que me escaparam e não me pergunte como, não estou habilitada para responder.
Poderia dizer ao meu coração que há vários motivos que o fariam ficar, mas não há.
Não me pergunte a razão, apenas não há.

domingo, 11 de setembro de 2011

Le désespoir

Você sentiu tanta vontade de Paris. Sentiu tanto o silêncio do telefone maluco que muito te irritava por ter um toque tão alto a ponto de assustar seu silêncio, e agora se irrita por ele não emitir som algum, especialmente nas noites de sábado, que vem sempre com chuva calma, mas já é muito tarde para ir até lá fora e tentar lavar esse desespero tão irritante que te insulta.

Parece impossível sentir dor quando já te secaram tudo o que tinha. Mais impossível ainda é sentir falta de algo que não se sabe dar forma, cor ou nome -ou talvez saiba, mas não queira reconhecer-.
Eu sei. Sei que acertaram em cheio o motivo mais sensível dos sentidos que ainda te faziam respirar, mas você só está aqui, tentando cumprir seu encargo, se é que ele existe, se é que já não se cumpriu e agora só espera por algo que possa ser vivido sem crueldade. Algo que você ame e te ame também, mas que seja amor de verdade, pra que você possa dizer adeus sem culpa, sem desapontamento e nem saudade. Algo que te reencontre em Paris, talvez, ou em outros ares onde os humanos não possam respirar. Algo que seja feito por você e não pelos outros. Algo que salve a sua vida, e que não precise ser posto em uso para esquecer qualquer lembrança.

Isso é baixo, eu sei. Te entendo, te entendo bem...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Componho esta arte como ninguém.

Mas se você soubesse que não taparia o buraco da sua ferida, ou se eu soubesse que não seria incrível, mesmo aceitando você como a-salvação-dos-meus-dias-crises-solidão-medos-e-receios só para ser eterno enquanto fosse possível, será que estaríamos presos nessa maré de azar hoje?
O que eu quero dizer, é que errar faz parte da natureza humana. Erramos em pensar que você poderia ser meu talismã da sorte e eu o seu. Você meu pé de coelho e eu seu trevo de quatro folhas.
Talvez, talvez... Talvez define bem o que penso agora. Talvez seja ilusão, talvez... Mas você seria capaz de me trazer virtude, sim, se eu fosse tão ridícula a ponto de acreditar em talismãs.

Talvez tenha faltado emoção. Talvez o amor tenha escapado como água corrente entre os dedos que lava o corpo, mas não purifica o fiasco da alma. Tantas coisas escorregaram de minhas mãos e olha só, desta vez, was not my fault, baby. Desta vez te levaram de mim e eu nem precisei fazer uma burrada como aquelas que só eu sei como preparar.
Eu sou artista! Me invento sem saber. Crio e me dedico a arte de estragar tudo sempre. Essa habilidade perfeita de danificar tudo o que está próximo é bem elaborada por mim.
Eu tinha o amor aqui nas mãos, escapou. Eu poderia viver de carne, desejos e ausência de sentimentos, mas o sentimento está na minha carne e, sentir, é o que mais desejo. O que eu busco é alguém que tenha um radinho de pilha que esteja na mesma sintonia do meu. É muita intensidade aqui amorzinho, não se assuste. Perder já é costume e ninguém consegue acompanhar essa loucura aqui.

Quando amo, amo por partes, amo por dia.
Amo o sorriso, amo o olhar, amo a risada, amo o sono e o despertar. Amo as mentiras saudáveis, as verdades incompletas, as saídas escandalosas e as chegadas silenciosas. Quando amo, amo do meio-dia ao meio-dia. O amanhã não merece amor. O futuro é consequência do sentimento que canto hoje.
O que eu amo mesmo, são os segundos. Amo você, e eternizo esse amor durante 24 horas.

Olha... Eu sei que nos amamos muito depressa sem ao menos nos tocarmos e, no dia do encontro, esquecemos de nos levar a ele. Sei que é assim com você também. Quando acontece... Quando quero muito algo que seja o motivo do meu sorrir, esqueço de me levar. Meus sorrisos vão pela metade e minha mente fica num universo paralelo, é assim o tempo todo. Caminho com a sensação de que vou perder os sentidos e desmaiar em meio a uma multidão onde todos vão me olhar com estranheza, mas ninguém terá postura para fazer algo ou me trazer de volta, afinal, não há socorro. Não há o que fazer. Se meu corpo pede por descanso ou desfalece sem pedir licença diante de uma turba de gente reunida no ponto mais cliché e sem graça da cidade num domingo nublado e abafado, que eu caia. Que morra ou adormeça para sempre. Dormir é sempre o melhor remédio. Sonhar é mais divertido. Mais emocionante.
Deixa eu ir para a cama, os sonhos me esperam.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aventurar-se

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Sim, eu confesso: Foi estranhíssimo dizer que a tempos estou aqui e te espero mas, depois de tantos anos sem reconhecer a ousadia, minha vida atreveu-se a gritar com o pingo de força que restava: - ARRISQUE-SE!

Então, eu arrisquei...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Herói da minha infância

Com 6 anos de idade, eu usava a camiseta do meu time do coração que, na época, era patrocinado pela Kalunga. Ele com 7, usava a do time rival que era patrocinado pela Tam. As camisetas eram detalhes sem atenção mas sempre me lembrei ao longo dos anos, pois delas nasciam discussões que eram rapidamente esquecidas quando um dos dois inspirava uma nova brincadeira. Essa é uma das lembranças mais fortes que tenho.

Para ler ouvindo: Primeiro de agosto.
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Comprei uma caixinha com lápis de cor, e hoje tento colorir todos os trechos das páginas que vivemos na Rua Pimenta Filho. Tentei manter os tempos e as ocasiões, mas sem perder os passos que o livro da nossa história riscou. Tentei te ouvir tantas vezes em 365 dias, mas as palavras eram interrompidas, então, eu arrisquei agarrar os sorrisos, alcançar seus abraços e segurar as lembranças.
Poucas horas se passaram em um ano, e seu sorriso ainda é o mesmo. Tantas vezes te vi em sonhos, e seus olhos continuam verdes. A mania que tenho de ir até o portão dia de domingo me acompanha sem razão e, a teima de acreditar que você ainda está ali, segue sem pensar em parar.
Os clássicos Paulistas já não despertam interesse. Nada aqui é incrível pois você levou toda a lembrança que eu tinha de uma época saudável em um amigo de infância.
Escuta, sinta, veja, não sei quais são os sentidos que usa agora. Não é uma data que me faz te falar por escrita, pois você sabe que te falo em pensamento todos os dias desde que se foi. Não é só por hoje, pois foram todas as horas principalmente as de céu noturno até adormecer e falar em sonho. Mas é que bate uma saudade. Uma falta de acenar do portão, sabe? De sentar na calçada e comer manga verde com aquela mistura que só você sabia como preparar. Uma carência de lembrar em pessoa do nosso princípio.
Me orgulhava, pois você era motivo pra se ter orgulho. Não sei, mas minha vontade é de te falar tudo o que foi pra mim sem pausa sem ponto final exclamação virgulas nada. Tô com vontade de te atropelar com palavras confusas que não saem, mas o que eu sinto agora você também sente e sabe.
Nada pode substituir as suas cores hoje, então eu vou deixando tudo assim, em preto, branco e vermelho por você, mas assim vai ficar, mais preto e branco que vermelho. Vai ficar enquanto você não vem. E não há como vir. Ta confuso, eu sei, mas é porque ta doendo. Talvez se você estivesse aqui, eu teria facilidade para colocar a fala em ordem e dizer que te amo e sinto sua falta, mas só posso disparar as palavras e dizer que em primeiro de Agosto não esqueci o desgosto e nem seu rosto.
Não é porque é primeiro de Agosto, você sabe menino, que foram todos os dias. Todos eles se foram em tão pouco tempo e não passei um sem pensar em você. Mas é que primeiro de Agosto, leva o nome de uma música que tanto gosto e, agora, levou você de mim sem pedir licença. Aquele domingo amanheceu nublado no mês da mais bela primavera que está com você agora. O verde que brincava em vários tons no seu olhar se escondeu quando você se foi para um sono profundo e eterno.
Sim, as cores da Pimenta Filho se apagaram com revolta e eu juro que tentei, mas elas tomaram a decisão de partir com você, que sempre foi o vilão vitorioso das brincadeiras, mas no fundo, no íntimo, sempre foi (e será) o herói da minha infância.

Com amor: Thalita.

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Renan Neves dos Santos
07/07/1989
01/08/2010

terça-feira, 19 de julho de 2011

Se sua vontade de partir foi inevitável, aceito não encontrar em você um desejo demente de ficar.

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O que eu queria mesmo, era encher de letras linhas e mais linhas com a palavra "Volta" ou qualquer termo que tenha um significado exato na tradução do que levo aqui no peito.
Se houvesse alguma forma de gritar com a escrita, eu deixaria vazar toda a vontade oprimida que tenho de mostrar pra quem quiser ver, ter como sensação, ler, considerar, julgar ou qualquer coisa que os nossos sentidos reconheçam o tamanho do abraço que tô guardando aqui no intimo da alma.

Aquele garoto ainda não entendeu que a vontade de partir foi inevitável, nem aceitou que não encontrou em mim um desejo absurdo de ficar.
Não é pressa, porque para mim, é divertido ir devagar ás vezes. Gosto do que chega atrasado. Gosto do que vem fora do tempo, mas passei a aceitar as ocasiões dos casos urgentes. Das palavras soltas. Do impulso. Do gosto da saliva... Simpatizo com aquilo que segue os meus passos.
Resumindo: Gosto do que me acompanha.

Volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta porque tenho saudades...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ficar insensível, entorpecer-se, descuidar-se.


Agora é indispensável determinar um cálculo preciso ou uma formula saudável de me sustentar na existência dos fatos, sem que as esperanças irrealizáveis me puxem para o engano da excitação imaginária. Fui tragada por desejos inquietos que me roubaram com violência e me amaram sutilmente pois sabiam que eu tinha razões para entrar no jogo e quem sabe levitar, porém, não interrogaram o meu desejo. Não perguntaram se eu queria ser namorada por essas alucinações de espírito e muito menos me apresentaram escolhas entre o real e o inexistente.

Subtraíram as vidas que eu tinha. Os olhos que me contavam tantas histórias encantadoras se fecharam. O mundo que eu tinha nas mãos fugiu e, na despedida, prometeu voltar um dia. Tudo o que estava no sossego do meu abraço desapareceu, e hoje procuro terra com os pés sem encontar. Sinto as nuvens passearem entre meus dedos pois não há chão. Não há oxigênio. Não há encontros -e eu que quis tanto um achado-. Não há sorrisos oprimidos com as antigas palavras intimidadoras que eu costumava usar. Nenhum lugar é tão incrível a ponto de me fazer afirmar que é ali: meu sustento é logo ali. A serenidade que eu roubava com palavras e o modo como tragava o cigarro. Tudo desapareceu. Uma existência apagou-se e agora deve viajar com o vento em um lugar que desconheço. Existir é frágil demais. Me exausta. Me esvazia. É uma vida de rotina. Um medo incontido de fazer um novo caminho para o trabalho ou cumpimentar aquele novo coração que quer chegar. Existir me esgota, mas eu ainda posso me cansar sendo solta, pois ser livre não é composto. Ser livre não é complicado. Ser livre é simples.

Essa existência vazia e esgotada me dava pouca oportunidade de colocar a ousadia na extremidade do controle. Por isso aproveitava esses breves momentos para mudar as coisas dentro do coração que ainda era meu. Troquei todos os moveis de lugar e nada estava bom. Fiz todas as combinações possíveis e nada me agradava. Ai deixei tudo empilhado num canto e dei mais espaço para dançar e quem sabe com os movimentos atrair algum suspiro, alguma inspiração ou qualquer sentimento real.
Me embriagava na ternura de fantasias atraentes e elas sabiam exatamente como jogar, pois tinham habilidade para encontrar minhas fraquezas e ver o quanto eu era ineficaz ao som de Sinatra.
Ser irreal era sutil. Me deixava levar pela delicadeza e assim perdia a sensação de virar o jogo gastando sem nenhum proveito, a chance de me casar com a fé que escapou de mim, porém lamenta o fim vitorioso da fantasia que me tem e não me deixa voar.
O mundo já me perdeu e quantas vezes tentei voltar. Falta luz mesmo meus olhos sendo tão frágeis a claridade solar. Ainda falta brilho. Não olho mais para o alto. Perdi o desejo involuntário de voltar os olhos para ver como está o céu aquela noite. Vou até as pessoas e esqueço de me levar. As respostas que quero são simples e estão escondidas por trás daquele sorriso tão ignorado.

Me traga de volta.
Provoque palpitações.
Faça com que eu volte de um perigo mortal.
Se não sinto, é porque adormeci e nada me puxou pela mão dizendo que eu deveria voltar. 
Me traga as lembranças. Me dê motivos, pois ainda acordo sem nenhum.

Então me traz de volta. Me acorda dessa importunação que dificulta minha respiração durante o sono. Provoque palpitações. Faça com que eu volte de um possível perigo mortal que tenta me roubar do desejo de olhar as estrelas. Não venha com o que não espero. Não me encante com desejos que me farão voltar para o mesmo abismo que me encontro. Incite pulsações eternas. Me devolva as lembranças. Me apresente novas. Me dê motivos incríveis. Me faça acreditar que ainda há razões para supor que nada pode tirar o mundo das minhas mãos. Se adormeci é porque nada me despertou o desejo de manter os olhos bem abertos. Me acorde, pois eu ainda me descuido no erro de que não há nada para me puxar pelo braço e dizer que devo voltar e ser o motivo do sol nascer.

domingo, 26 de junho de 2011

Tempo individual

Não sei mais ser real. Me roubaram de mim e o que deixaram no lugar foram descasos com umas pontinhas de alienações e doses insensatas.
Disserto sobre desejos e ilusões sem fim que parecem mesmo não querer parar. Escolho sobrevivência e me apresentam inquietações. Não é mais como aquele receio patológico persistente de amar, ter medo e se esquivar de todos os sorrisos que tentam esbarrar em mim pelo caminho. Agora é saída. É a soma de desejos e escolhas com vontade de ser tudo. É encontrar alguém que não me aceite como metade ou parte de um sentimento, mas sim, como algo indispensável, me dando aquela sensação de ser essencial para toda a sua causa. 
Não quero ser metade. Não quero dividir conversas e sorrisos escandalosos. Quero ter para mim e que seja só meu aquele abraço. Que seja só meu aquele olhar. Que seja meu aquele fato, dia, canção, filme, reportagem... Que seja só minha aquela história. Que seja.
Cansei de temer. Cansei dos olhares que não permitem que os pés saiam do lugar sabe-se lá por qual motivo. Cansei e se o amor quiser que me encontre num bar ou na fila do banco talvez. Quero ser tudo mas não quero ser preenchida por amores platónicos. Quero amor mas sem encontrar nele algo que seja minha sobrevivência. Não vou fugir. Só por hoje não vou afastar as ilusões e a cólera que me provoca. Quero viver e de todas as possibilidades que o vento me sugerir vou tirar proveito de cada uma sem me perder completamente.

Foi cansando assim que percebi que meu tempo é particular. Não controlo nada e muito menos tenho poder para decretar quando será a hora certa. Ele tem cautela quando quer. Sabe estudar o terreno em que está entrando e não perde nenhum detalhe. Sempre olha pela janela e tenta sugar todas as informações antes de concordar com alguém que quer roubar minha atenção. Jamais permite que entrem sem bater e assim ele é vagaroso, indeciso, tomando muito mais tempo do que seria para desejar. 
Ai surge um motivo que faz com que ele perca o controle. Tempo, tempo, tempo... Não existe mais tempo. Existe urgência de ser ali e agora. Já não existe cuidado. Existe pés fora do chão e descaso com o resultado. Ah, já não há mais medo e sim a vontade de cometer erros e imprudência sem razão. Ele não se importa com mais nada e só quer viver naquela rapidez. Mal olha o terreno antes de entrar e só pensa no momento em que vai desfrutar de cada lote daquela boca.

Eu sou livre. E essa liberdade me atrai para caminhos malucos que já nem me despertam preocupações.
Eu cansei de fazer caso. Já não consigo ver nada através de uma parede imaginária e deixo que ela desabe diante de mim. Todas as ressacas e palavras não ditas, todos os sonhos esquecidos que não saem do papel. É uma tempestade de ilusões e muitas razões para não querer parar. Tudo me acompanha e me empurra pra um lugar desconhecido. Todas as coisas que odeio giram em torno de mim. Sou correta com a honestidade e fiel a minha essência, mas aceito me perder de vez naquela loucura de sábado à noite.
Me assusto fácil, mas não me importo com o modo que vai chegar. Mesmo que cause ruídos escandalosos e gestos ásperos, não me interessa. Percebi que não sou dona do meu tempo então ele que administre as coisas por mim.
Chegue leve, me avise, dê sinais de que está próximo. Chegue rápido, cause tempestades, seja pressa, tudo bem. Assim o retorno será calma do seu modo, ou desespero, o que você quiser que seja. 
É assim que meu tempo funciona. É assim que minha mente reage. Aqui está meu coração, não diga palavras incertas. Aqui está meu tempo, sua sorte é quem irá definir o modo como ele estará para você, seja pressa ou cautela.